ASPECTOS FONOAUDIOLÓGICOS NA FINALIZAÇÃO DO TRATAMENTO ORTODÔNTICO

A Ortodontia/Ortopedia Funcional dos Maxilares e a Fonoaudiologia são grandes parceiras, caminham juntas e se completam.

Porém, isso não significa que devam ser iniciadas, nem finalizadas no mesmo momento. Mas é fundamental que Ortodontia/Ortopedia Funcional dos Maxilares e Fonoaudiologia realizem um trabalho conjunto onde a discussão dos casos é fundamental para a evolução e sucesso dos mesmos.

Observamos muitos deles no nosso dia-a-dia e em cada um o tratamento desenvolve-se de uma maneira diferente.

Há casos e acredito que, a maioria deles, nos quais o paciente recebe alta do tratamento Fonoaudiológico, mas continuará o Ortodôntico/Ortopédico Funcional dos Maxilares; outros onde a Fonoaudiologia atuará primeiro com objetivo de habilitar ou reabilitar funções estomatomagnáticas que possam estar interferindo na forma (oclusão dentária); outros onde primeiramente a ortodontia “corrige” alterações morfológicas que estejam impedindo ou limitando o restabelecimento das funções, isto é, forma interferindo na função. Enfim, há uma variedade de casos e, com isso, condutas diferentes para cada um deles, onde não devemos deixar de levar em consideração como a forma e a função relacionam-se, visando assim as prioridades de intervenções de cada paciente, tendo como resultado um sistema estomatognático equilibrado e estável, e uma face mais harmoniosa do ponto de vista estético.

Falando em resultado, devo citar o que é o “esperado” e “ideal”, do ponto de vista fonoaudiológico, quando o paciente está em finalização do tratamento Ortodôntico/Ortopédico Funcional dos Maxilares. Nessa fase o Dentista deve observar:

a) Quanto às posturas dos órgãos fonoarticulatórios;
1) Se a língua está repousando na papila palatina: solicitando para o paciente referir onde sua língua costuma fica no repouso, se fica embaixo ou em cima;
2) Se os lábios ocluídos de maneira harmônica, sem tensão do músculo mentalis: observando o paciente no repouso;
3) O tônus: pedindo para o paciente realizar movimentos simples e também observando como o mesmo realiza funções de respiração, mastigação, deglutição e fala, porém, se o paciente está com as posturas de língua e lábios adequadas de forma automatizada, significa que o tônus também já encontra-se adequado;
b) Quanto às funções estomatognáticas:
1) Respiração deve ser nasal. Observar o paciente distraído, se os lábios permanecem vedados na maior parte do tempo. É importante saber se o paciente encontra-se em tratamento com otorrinolaringologista e/ou alergista, ou se já esteve em tratamento e teve alta. Enfim, investigar sobre a história de sua respiração, a fim de orientar o paciente, se necessário, explicando-lhe sobre as consequências da respiração oral nesta fase de finalização;
2) Mastigação deve ser bilateral alternada, com movimentos eficientes e lentos de rotação de mandíbula. Se o paciente mostrar preferência por uma dieta mais pastosa e “facilitada” do ponto de vista do trabalho mastigatório, orientar para a introdução de alimentos duros, secos e fibrosos;
3) Deglutição deve ser com movimentos da língua de forma que esta exerça força contra o palato, sem participação de outros músculos faciais (movimento perioral, de cabeça e tensão de metalis);
4) Durante a fala espontânea do paciente os pontos articulatórios dos fonemas devem estar adequados e automatizados. Observar, durante a fala espontânea, se não há trocas, distorções ou omissões fonêmicas; se não há projeção de língua entre as arcadas dentárias; se o paciente articula bem os sons da fala fazendo com que sua articulação seja precisa (não apresente articulação “travada”);
c) Investigar se paciente não apresenta nenhum mau hábito oral. Certificar-se de que, se apresentava, realmente parou com o hábito. Orientar sobre as consequências do mesmo nesta fase de finalização.

Nesta fase, fica evidente que a orientação ao paciente é de extrema importância para que o mesmo, realmente, possa se conscientizar de modo a não colocar em risco o tratamento, podendo apresentar recidivas no futuro.

É importante lembrar que, se o paciente já teve alta do tratamento fonoaudiológico, provavelmente, estará com as posturas dos OFAs (órgãos fonoarticulatórios) e suas funções adequadas, levando-se em consideração que o mesmo também já se encontra com a forma adequada, ou quase, já que está em finalização do tratamento Ortodôntico/Ortopédico.

Se o paciente estiver em finalização do tratamento ortodôntico, porém ainda não finalizou o fonoaudiológico, provavelmente, o ortodontista não encontrará padrões adequados quanto às posturas dos OFAs e suas funções.

Esta última hipótese não é a mais comum tendo-se em mente que, normalmente, o tratamento ortodôntico costuma ser mais longo que a terapia fonoaudiológica.

Sendo assim, mais uma vez, devo ressaltar a enorme importância do trabalho conjunto entre Fonoaudiologia e Ortodontia/Ortopedia Funcional dos Maxilares. É fundamental que cada profissional envolvido saiba de que maneira está desenvolvendo o tratamento do outro, obtendo-se assim satisfação e sucesso em cada caso.

Dra. Juliana Ruivo Tavares
Fonoaudióloga Clínica da Sociedade Paulista de Ortodontia e Ortopedia e da Clínica de Alergia e Imunizações Prof. Dr. Júlio Croce, graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com Aprimoramento no Tratamento das Fissuras Labiopalatinas, Síndromes Associadas e demais Patologias Correlacionadas no Hospital dos Defeitos da Face.